O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou nesta quarta-feira (04/11) a manutenção da taxa básica de juros em 13,75% ao ano. A decisão foi tomada na sétima reunião de 2026.
Esta decisão é um indicador fundamental para a economia brasileira, cautela na condução da política monetária e definindo um cenário de estabilidade para o custo do crédito nos próximos meses.
Com o encerramento desta rodada de negociações, o calendário do Copom caminha para o fechamento de 2026, restando apenas o encontro de dezembro para consolidar o encerramento do ano.
Confira o calendário de reuniões do Copom em 2026:
- 27 e 28 de janeiro
- 17 e 18 de março
- 28 e 29 de abril
- 16 e 17 de junho
- 4 e 5 de agosto
- 15 e 16 de setembro
- 3 e 4 de novembro
- 8 e 9 de dezembro
Histórico recente da taxa Selic
Veja no gráfico a seguir como a taxa básica de juros tem se comportado nas últimas reuniões:

O cenário e o papel do Personal Banker
A estabilidade dos juros reforça a importância da consultoria especializada e da inteligência na alocação de crédito. Felipe Giroletti, CPO e Co-founder da Franq analisa os fatores macroeconômicos e o posicionamento exigido diante da decisão:
“A manutenção em 13,75% se mostra coerente. Em setembro já havia sinais de que dificilmente teríamos novas mudanças em 2026, e o Copom confirmou isso hoje. O ciclo de cinco cortes desde março cumpriu seu papel, mas o cenário mudou de lá para cá: dadas as eleições o mercado requer mais clareza sobre o lado fiscal o que já movimentou o câmbio e ainda temos a inflação apontando para acima da meta. Pausar agora é o Banco Central preservando a credibilidade do que já foi feito”, explica Giroletti.
Sobre a tomada de crédito, o executivo explica que quem estava esperando os juros caírem mais para tomar crédito ou reorganizar dívidas precisa entender que esse ‘depois’ ficou mais distante.
“O papel do Personal Banker é justamente esse, ajudar o cliente a tomar a decisão com o cenário que existe, e não com o que gostaríamos que existisse. Operações com boas garantias, como home equity, continuam sendo o caminho mais eficiente para trocar dívida cara por dívida barata.”, complementa.
Mesmo com a estabilidade da taxa básica de juros, o dinamismo do mercado financeiro segue oferecendo caminhos eficientes para otimizar custos, diversificar soluções e identificar oportunidades estratégicas para diferentes perfis e demandas.
Nota oficial do Copom:
O ambiente externo tornou-se mais adverso em função do prolongamento dos conflitos armados no Oriente Médio, com impactos altistas sobre o preço do petróleo e derivados, e da política monetária mais restritiva nas economias avançadas. Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities.
Em relação ao cenário doméstico, o conjunto dos indicadores divulgados desde a última reunião aponta para uma moderação mais acentuada da atividade econômica, principalmente em setores mais cíclicos. O mercado de trabalho permanece resiliente, porém apresentando sinais de desaquecimento na margem. Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e a média das medidas subjacentes aceleraram, situando-se acima do limite superior do intervalo de tolerância da meta.
As expectativas de inflação para 2026 e 2027 apuradas pela pesquisa Focus distanciaram-se adicionalmente em relação à meta desde a última reunião, situando-se em 5,2% e 4,8%, respectivamente. A projeção de inflação do Copom para o segundo trimestre de 2028, atual horizonte relevante de política monetária, elevou-se para 3,5% no cenário de referência (Tabela 1), com a incorporação dos choques de oferta materializados desde a última reunião. O Copom relembra que essa projeção utiliza a trajetória da Selic extraída da Focus.
Os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, permanecem mais elevados que o usual, com assimetria altista. Entre os riscos de alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, destacam-se (i) uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado, com horizontes mais longos incorporando impactos potenciais de segunda ordem de choques de oferta, relacionados ao petróleo e seus derivados, e a efeitos climáticos sobre a produtividade agrícola e custos de energia; (ii) uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto positivo; (iii) uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada; e (iv) estímulos à demanda agregada, em particular ao componente de consumo, que tenham como resultado o crescimento da atividade econômica acima do produto potencial, enfraquecendo parte dos canais usuais de transmissão da política monetária. Entre os riscos de baixa, ressaltam-se (i) uma eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada, tendo impactos sobre o cenário de inflação; (ii) uma desaceleração global mais pronunciada decorrente dos choques de comércio e do petróleo, e de condições financeiras mais restritivas, em um cenário de maior incerteza; e (iii) uma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários.
O Comitê segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza. Os indicadores correntes de atividade mantêm-se consistentes com uma trajetória de desaceleração no acumulado de 2026. O Comitê monitora com atenção a desancoragem das expectativas de inflação para prazos mais longos na medida em que esta contribui para a determinação dos preços e aumenta o custo de desinflação.
O Copom decidiu manter a taxa Selic em 13,75% a.a., e entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego.
O contexto atual, caracterizado por taxa Selic substancialmente contracionista, aumento significativo das incertezas em torno do cenário base, expectativas de inflação mais elevadas, e desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada, apresenta um cenário desafiador para a política monetária, demandando serenidade e cautela na sua condução. O Comitê seguirá acompanhando a evolução do cenário, para manter a restrição adequada de forma a assegurar a convergência da inflação à meta.
Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Gabriel Muricca Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti, e Rodrigo Alves Teixeira.



